5/18/2008

lume


os dias se desprendem dos

dias cada vez mais

longos sempre mais


frios embrenhando se em

mim


pronuncio as nossas

palavras sob a sombra enevoada da

lua que devagar me


envolve


prendo me à vegetação de nossas

praias aos nossos intangíveis

sonhos


na tua voz

distante

aconchego minha


imensa


saudade



Adair Carvalhais Júnior

pouso



no espaço entre

nós transitam

estrelas e horas


frágeis que sempre

parecem

incertas


um imenso luar inscreve teu

cheiro nas memórias do

meu corpo


e a poesia busca

alcançar a mudez que as

lágrimas carregam no


espaço onde se

encontram teu sorriso e meus

olhos



Adair Carvalhais Júnior

brechas

por onde traço meus poucos

passos o solo permanece

gretado os


olhos apenas sussurram

luas


os vales cada vez

mais estéreis minhas

periferias ardentes os


lábios sempre incitando

furacões


neste avassalador silêncio

que tudo

recobre apenas

resisto



Adair Carvalhais Júnior

3/30/2008

música


para Bianca


são macios estes dias em

que há mais

lembrança que sua

falta


as angústias se

esquivam desertam de meu

corpo aquieto

me na


tarde morna cheiro seus

rastros a

poesia de seus

olhos


devagar desfazem se os

nós quase

soam pianos em sua

voz

tua voz
inaudível na minha
garganta meus
silêncios
angustiados


falta me tua
lua nestas noites
aterradoras falta em
mim teu
suor


atravessada do
estômago aos
olhos que já nem
rebrilham falta o
que de


mim já
nem


sei

ruína


suportar a dor

que vai e nunca

desaparece as madrugadas



intermináveis o

silêncio que

mutila


sustentar os sonhos

esfarrapados sobre todas

impotências as distâncias


incaminháveis os horizontes

opacos nada

do outro lado



sobretudo dizer

o poema


até a morte

destino


todas as noites

padecem em meu

corpo quando

vais sei que não


voltarás nenhuma

manhã


cambaleio sem

direção corpo

exausto calado absolutamente

nada restará quando

retornares

2/04/2008

ventre

onde a palavra evoque a
vida dos dias
áridos o fogo e a
brasa revolva os corpos

aninhados nos desolados
dicionários a
balbúrdia das bocas
fáceis

onde busque o mundo
abandonado nos
desejos e traga o

fresco entre as
mãos feito
seiva disto

vive

minha

solidão



Adair Carvalhais Júnior


10/23/2007

(sem título)

horas compridas



entre coisas

tantas sem


sentido não

encontro

lugar


nenhum



adormeço como

anoiteço


dias demasiado

compridos


a carne inutil

mente exposta


a vida esgotada




Adair Carvalhais Júnior

rumo



mas havia a lua ainda sobre a

noite e os sonhos feito

nascentes



e seu corpo preenchendo as horas

longas debruçado sobre minha

solidão


porque havia por trás de seus

olhos a promessa de outros

destinos o


ardor de sua ausência ferindo a

madrugada poderia logo

cedo morrer de


você



Adair Carvalhais Júnior

fantasia


teu sorriso lua

infindável da minha enorme

perdição



quando todas as estrelas se

recolheram


teu poema se desenhando nas

memórias do meu

corpo


quando a noite inteira já

adormeceu



teus braços nossa

praia

deserta


quando já não há mais

porto




Adair Carvalhais Júnior

9/24/2007

nuvens


quando achares sobre a

mesa o poema que fiz

pra ti estarei bem

longe


mas não

olhe para

trás


por séculos meus

versos ainda

falarão de tua

presença



porém a

poesia dissipou se de nossos

olhos

Adair Carvalhais Júnior

6/17/2007

desamparo


e como não havia mais

palavras nutri me dos céus de

brasília do sangue

escuro de ouro

preto

teus silêncios refizeram se em meus

gritos tua

voz ausente esvaziou

se em

mim

e como nada me dizia coisa

alguma teu

sorriso recriou se em

mim tua

poesia perdeu

se

na

minha

Adair Carvalhais Júnior

biografia XXVIII-filhos


recosto me no sofá aos

meus pés alice devora os

dias amontoados em

livros


o seu abraço refaz em

mim todo

o

mundo



no quarto dos fundos um enorme

homem criança encara a

vida com corajosos olhos

frágeis


o seu sorriso faz

me permanecer

acreditando


o silêncio ainda

é a matéria

prima da

poesia




Adair Carvalhais Júnior

grãos


abandonaste os caminhos que

percorríamos próximos a

luz que nos

encantava


os sentidos que procurávamos um

no outro nossos quase

invisíveis

rastros


deixaste a casa de nosso

nascimento o solo

morno das nossas

canções as


estrelas vagando sem

pouso todos nossos

rios

murchos



carregaste contigo minha

poesia

Adair Carvalhais Júnior

acervo



permanece em

mim a brisa do teu

sorriso feito

sonho o


roçar de teu

hálito íntima

ardência


qual raiz o

cheiro de teu

adormecer em

mim o


rumor de teus

cílios quietude de

lago


Adair Carvalhais Júnior

sombra


a paixão espreitou minha

porta sorriu com teus

olhos fez me ouvir tão


perto tua

voz

distante ventou


impetuosa nos galhos das

árvores esqueceu se nos teus

cabelos assustou meus


pássaros que de

repente fugiram

de ti a



paixão aqueceu

meu

corpo e sumiu mansa

mente





Adair Carvalhais Júnior

5/08/2007

doação

para Soledade


nunca te pensei porto para rotas

embarcações apenas caminho

compartilhado nunca te

quis guia dos meus inúteis


combates comigo

mesmo somente par nas

incompreendidas

saudades


havia tanta coisa a

fazer nesta terra

inclemente de mãos

dadas e quando a


noite se desfez nossas

frágeis palavras enfim encheram

se de

asas





Adair Carvalhais Júnior